As pesquisas mais recentes mostram que depressões, surtos psicóticos e ataques de pânico alteram a estrutura cerebral em termos químicos (neurotransmissão), microscópicos (neurônios, dendritos e axônios) e estruturais (volume de certas estruturas cerebrais). Provavelmente essa é a explicação para o que se sabe há décadas: quanto mais cedo se trata depressão, ansiedade, pânico, stress, DDA, psicose, cefaléia, etc., melhor.
Atenção: vale para quase todas as patologias da Neuropsiquiatria: quanto mais cedo se trata uma fase depressiva, ou um surto psicótico, uma cefaléia, um DOC, um ataque de Pânico, etc., melhor. Depois que o cérebro "aprende" a produzir esses sintomas, é cada vez mais fácil para ele produzi-los. Ou seja, crises, "quanto mais tem mais tem e quanto menos tem menos tem". Portanto deixe seus preconceitos de lado e procure tratamento.

Dr Rubens Pitliuk

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Cuidado com falsos médicos

Anorexia: grave, alto índice de morte e cronificação. Anoréxicas não querem se tratar. É uma luta de anos para a família.

Anorexia Nervosa.

Existem subdivisões, como Anorexia Restritiva, Anorexia Purgativa e também alternância com Bulimia, mas neste Site dividimos apenas entre Anorexia (MIA, Anna) e Bulimia.

Bulimia  Perguntas e Respostas   Ótimo Site de uma ex-anoréxica

De uma maneira geral:

  • A Anorexia Nervosa é muito mais freqüente em adolescentes do sexo feminino do que masculino. Pode aparecer na idade adulta.

  • Quanto mais tarde aparece, melhor é a evolução.

  • Anoréxicas não acham que estão doentes nem aceitam se tratar.

  • Bulímicas procuram tratamento, incentivam outras mulheres a se tratar, etc.

  • Anoréxicas preferem trocar idéias sobre dietas, laxantes, diuréticos, técnicas de provocar vômitos e como enganar a família e o médico.

Para os pais:

Na primeira consulta os pais querem "ouvir tudo sem dourar a pílula".

Depois, acham que o médico foi duro e radical.

Dali alguns meses verão que essa "dureza" tinha sentido. Por mais que os pais e os médicos achem que estão controlando a situação, as Anoréxicas são sempre mais espertas. Não acreditem em quem promete um jardim de rosas para o tratamento. Em Anorexia Nervosa não existem jardins de rosas.

O desgaste para a família, terapeutas, médicos e acompanhantes é grande. Raramente a paciente se trata por muito tempo com a mesma equipe que diagnosticou e iniciou o tratamento.

Sintomas e sinais:

  • Emagrecimento. Anoréxicas com 42 Kg são consideradas de peso bom. Freqüentemente o peso chega a 36 Kg ou menos.

  • Vômitos provocados com os dedos, com cabos de colher, com arames, com contrações abdominais, etc. Elas vomitam no banheiro, no chuveiro, em vasos de plantas, sacos plásticos, papel higiênico, onde for possível. Se não vomitarem se sentem sujas por dentro e "estufadas".

  • Quando se consegue que elas façam refeições com a família, sempre há um motivo para saírem da mesa logo que acabam de comer. Geralmente vão ao banheiro vomitar em segredo.

  • Amenorréia (interrupção da menstruação). A menstruação pode cessar antes de perda de peso grave (a desnutrição não é a única causa da amenorréia) e pode voltar antes de um ganho de peso importante.

  • Destruição do esmalte dentário (por causa dos vômitos).

  • Pele seca e amarelada, cabelos finos, secos e quebradiços (pela desnutrição).

  • Excesso de exercícios físicos.

  • Visão distorcida do próprio corpo. As anoréxicas nunca acham que estão magras o suficiente. Elas se olham no espelho e vêem os seios e o abdômen grandes demais.

  • Uso (geralmente escondido) de diuréticos, laxantes, hormônios de tireóide e pílulas para emagrecer.

  • Comorbidade (doenças concomitantes) com Depressão, DOC principalmente alternância de fases com Bulimia.

  • Isolamento social. São retraídas, pouco expansivas, quase sem amigos, não tem namorado,

  • Adoram cozinhar e servir comida para os outros.

  • Geralmente são meninas inteligentes, perfeccionistas e bonitas.

  • Acham que o tratamento é totalmente desnecessário. Vão ao médico apenas para que a família as deixem em paz.

  • Alternância com fases de Bulimia, quando comem tudo que está pela frente, a ponto dos pais terem que trancar a despensa da casa.

Causas.

Com  certeza existe mais de uma causa e ela certamente não é só emocional ou psicológica. Quem já viu uma Anoréxica de 40 KG sair de um hospital e continuar achando que não está doente vai me entender. Provavelmente existem componentes psicológicos, biológicos, ambientais e culturais. A impressão que temos é que por motivos sociais ou profissionais começa um emagrecimento e depois de um certo ponto algum mecanismo cerebral toma conta da menina e assume o comando.

Tratamento.

O tratamento é sempre multi profissional, talvez o mais multi profissional de toda a psiquiatria.

  • Antidepressivos e outros medicamentos, conforme a situação.

  • Psicoterapia.

  • Orientação Nutricional.

  • Orientação familiar, pois é uma luta de anos

Quando o médico disse que é grave, ele não exagerou. A Anorexia tem índice de mortalidade entre 10 e 30% assim como muitas complicações clínicas:

  • Metabólicas: hipotermia, desidratação, perda de potássio, magnésio, cálcio, fósforo, aumento de colesterol, hipoglicemia.

  • Cardiovasculares: hipotensão, bradicardia, arritmias cardíacas, etc.

  • Imunológicas: baixa de resistência a infecções.

  • Gastroenterológicas: cáries, erosão de esmalte dentário, hipertrofia de glândulas salivares, obstipação intestinal, cólon irritável, etc.

  • Hematológicas: anemia, diminuição de proteínas, etc.

Leia o depoimento de uma anoréxica, que ilustra bem tudo que foi escrito.

"Com 12 anos, 1.60 de altura e 49 kg me achava gorda e tinha vergonha da minha barriga. Achava bonito modelos magras tipo Shirley Mallmann. Comecei a fazer um regime "básico" e me exercitar. Com 13 anos pesava 36 kg e ainda me achava gorda. Fazia de 1 a 2 horas de exercício 6x por semana. Então comecei a vomitar e de vez em quando "atacar a geladeira. Sem perceber tinha me afastado de todos meus amigos, chorava muito e tinha vontade de morrer. Me sentia tonta e minha mãe resolveu me levar no médico. Ele receitou que 3x por semana fosse ao hospital tomar soro. Minha mãe acatou mas eu reagi e disse que estava me sentindo bem e que amanhã comeria direito. Então me levavam, a força, para fazer soro 1x por semana. Com isso comia menos ainda porque pensava que o soro engordava. Com 32 kg, minha mãe estava desesperada descobriu que estava vomitando. Foi quando descobrimos a Dra. X. Aceitei ir pq pensei que iria ser como os outros médicos; eu dizia que não iria comer e não comia. Com 30 kg e muito desnutrida ela queria me internar pq estava com anorexia nervosa. Na primeira semana não cumpri nada. Quando voltei eu e meus pais levamos uma bronca. Aí meus pais começaram a ficar em cima mesmo. Mas ainda assim burlava-os e escondia comida nos bolsos e vomitava depois. Proibida de exercícios acordava de madrugada para me exercitar. Logo mamãe descobriu. A Dra. X me deu uma semana para aumentar de 500g a 1 kg se não iria me internar. Eu achava que meus pais nunca iriam permitir. Na outra semana, quando fui me consultar havia perdido 200g, então falou com meus pais e se eu não fosse internada ela se negaria a me tratar, acabei sendo internada. No dia 23 de dezembro de 1997 com 30 kg e 13 anos fui internada no hospital Y, foi quando começou o período mais difícil do tratamento, comecei a dizer que iria fazer greve de fome, a Dra. me deu 4 dias para aumentar 400g e trouxe a sonda ao meu quarto mostrando o que iria acontecer se eu não começasse a comer, vi que eu não tinha outra opção e comecei o comer. Mesmo internada eu continuava colocando comida dentro dos bolsos e vomitando em vasos de flor, meu banheiro ficava chaveado 24 horas por dia e quando precisava ocupá-lo uma enfermeira me acompanhava. Restrita de visitas de familiares e amigos eu chorava muito, foram 3 meses e meio de sofrimento. Voltei para casa na Páscoa para fazer um teste de como eu me comportaria. Como me comportei e comia direitinho não voltei mais pro hospital. a Dra. liberou os exercícios, comecei nadando duas vezes por semana. Quando voltei pra casa não saía de casa porque me achava gorda e não queria que ninguém me vice assim. com 1m e 56 kg me achava gorda e tive uma pequena recaída. Fui forçada a recuperar ou voltaria para o hospital, novamente não tive saída e voltei aos 50 kg com muito esforço. Chegou o verão e eu só ia pra piscina de maiô pois tinha vergonha da minha barriga. aos poucos, com os exercícios minha barriga foi se definindo e minha auto estima subindo. Hoje faço academia 2 vezes por semana e de dois em dois meses vou fazer revisão na Dra. X, ainda faço terapia com minha Psiquiatra 2 vezes por mês. Estou com 1,65m de altura e 51 kg. Ainda tenho um pouco de medo de comer mas, também tenho medo de recaídas. Hoje tenho consciência de que se não tivessem me internado o tratamento, em casa, jamais daria certo."

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