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Tomei Ritalina durante um ano
sob orientação de um Psiquiatra. Obtive grandes melhoras com relação a
capacidade de concentração; também me sentia mais "animada" para
tomar iniciativas, realizar coisas e etc. Só que, de repente, a Ritalina sumiu
do mercado e já tem três meses que não consigo encontrá-la. O fato de não
estar tomando o medicamento não me fez entrar em depressão ou outra coisa do
tipo, como tantos tem medo que aconteça. Mas, sinto muita falta da Ritalina em
função do meu trabalho pois desenvolvo softwares e preciso de grande
capacidade de concentração por longos períodos de tempo. Durante o tratamento
com a Ritalina, meu rendimento melhorou significativamente.
Tenho 24 anos e acho que tenho
DDA sem hiperatividade. Sou muito distraído. Tudo o que eu faço no trabalho
tem erros, posso rever uma coisa em torno de 3 vezes que em todas elas irei
encontrar erros. Além disso, posso levar um dia inteiro de trabalho para fazer
uma única tarefa, sendo que outra pessoa levaria no máximo uma hora. Estou
sempre cansada e com sono e a minha memória é um desastre. Mas o que mais me
incomoda é a minha incapacidade na leitura, simplesmente, não consigo ler mais
de uma página sem me distrair, e o que leio com toda a atenção, me esqueço
depois, fora o número de horas que gasto para fazer isto.
Boa Tarde!!! Lendo os
depoimentos, eu dou risada sozinha, pois é como se eu quem estivesse escrevendo
a maioria dos depoimentos, histórias, sentimentos...tudo tão igual ao que vivo
e sinto.... E ao mesmo tempo que tô triste com esse meu "jeito", tô
feliz em saber o que eu tenho e melhor que tem tratamento e que eu não sou a única...Há
algum tempo que vou em médico ou as pessoas próximas de mim, dizem diminui o
ritmo, toma cuidado já já vai te dar um piripaque...sabe sempre fui e sou até
hoje muito agitada, ficar sentada muito tempo em sala de aula, assistindo uma
palestra, numa missa, casamento, enfim acontecimentos que exigem concentração,
são um problema para mim, não consigo ficar quieta por muito tempo, na época
de colégio, faculdade a todo momento tinha que sair da sala...e para
concentrar, ficava um minuto prestando atenção no que está sendo falado, e
logo já me pegava pesando em um milhão de coisas, menos na aula...Esqueço
tudo com facilidade, nunca consigo terminar nada que eu começo, tenho vários
livros que comprei com assuntos que eu acho mto interessantes mas..... se li
inteiro um ou dois dos tantos que já comprei e iniciei a leitura foi
muito...revistas, jornais, nunca consigo ler um artigo inteiro...tenho raiva de
mim por isso, mas é algo muito mais forte do que eu...até tratamento médico
eu não consigo terminar, quando vejo que está começando a surtir efeitos eu
paro..sabe é algo mais forte que eu...e cursos...inglês, espanhol, academia,
dança, é impressionante começo tudo e não concluo nada, e toda vez eu digo
dessa vez vai ser diferente, e digo isso também com relação a meu dia a
dia...penso nossa amanhã vou fazer tudo diferente vou anotar tudo o que tenho
que fazer e vou seguir tudo...não consigo fazer isso um único dia, até curso
de gestão de tempo eu fiz, a idéia é ótima o problema é que eu não consigo
anotar e quando consigo anotar eu não consigo ficar lendo me dar pavor me
prender a um papel...enfim mais frustração, pois tudo o que tinha planejado no
dia anterior, ficou mais uma vez somente no meu planejamento, como milhões de
idéias que tenho e de coisas que inicio e não termino, me dá tanta
frustração, que dói no coração... E a preguiça, nossa toma conta de mim,
minha irritação me irrita, as vezes não entendo o porque, depois me sinto
mal, pois quem trabalha comigo não tem culpa, nossa devem me achar uma chata,
minha mãe fica doida com minha bagunça eu juro que tento ser organizada,
arrumo minhas coisas, dá um dia já tá tudo uma zona de novo e no trabalho a
mesma coisa, me esqueço das coisas, só que tbm não consigo anotar, as vezes
preciso achar um papel que anotei, mas cadê ele!?!? Anoto coisas que depois
não sei o porque anotei, e essa organização me deixa louca... mas não
consigo ser organizada, já tentei um trilhão de vezes, e para dormir?!?! Meu
Deus é um custo tem dias que fico pensando na vida, na morte da bezerra,
sofrendo com coisas que fiz e disse, e dias que de tanto sono consigo dormir,
mas o que acontece?!!? Acordo no meio da noite..que raiva, teve dias de eu
chorar por ver todos dormindo e eu para variar acordada, e o dia que consigo
dormir, parece que não dormi acordo mais cansada de que quando fui dormir...é
horrível aí já viu o dia rende daquele jeito. Me desligo das coisas
facilmente, as vezes alguém tá falando comigo, mas eu quero tbm prestar
atenção no que o do lado tá falando o que tá acontecendo na rua...meu
namorado anda reclamando muito disso, diz que não dou atenção para ele, que
esqueço tudo o que ele me fala, etc etc...juro que não faço de propósito,
mas ele as vezes não acredita, mas agora que descobri sobre o DDA ou TDAH ou Déficit de Atenção
e comentei com ele algumas características eu acho que eel tá começando a me
entender... e quando quero fazer um milhão de coisas ao mesmo tempo ele quer
morrer, já discutimos várias vezes por isso. Bom são tantas coisas, algumas
relatadas aqui..esse meu jeito diferente está me incomodando e me deixando cada
dia mais frustrada e insatisfeita com minha vida, preciso de ajuda, hoje marquei
horário no médico e decidi que vou dar um jeito na minha vida, e dessa vez
para valer mas com a ajuda de um especialista, pois sozinha já sei que não
consigo, só peço a Deus que não me deixe desistir no meio do caminho, mais
uma característica de quem possui DDA ou TDAH ou Déficit de Atenção. Volto
para contar como será minha vida nos próximos meses. Abraços a todos, e boa
sorte a todos vocês.
Tenho um filho que tem o
Transtorno do Deficit de Atenção + Hiperatividade. Hoje ele está com 16 anos
e se trata desde os 8, quando comecei a ser chamada no colégio (São Bento do
RJ) pela diretora, para ouvir reclamações de seu comportamento e o qto ele
atrapalhava a aula. Resumindo: ela fez de tudo para que eu o tirasse do
colégio. Não o transferi e procurei tratá-lo imediatamente. Por que trocá-lo
de colégio se ele adorava estudar lá. Era só uma questão de tempo para ele
começar a ser tratado. Após vários exames e testes neurológicos (software específicos) chegou-se
ao diagnóstico : TDAH. Ele teve tb apoio psicológico por 6 anos consecutivos,
além de fazer uso de medicamento (Ritalina). Seu rendimento escolar foi
excelente logo que começou usar Ritalina. No final do ano, a própria diretora
foi à sua sala de aula e o parabenizou pelo excelente aluno que passou a ser.
Isso fez um bem enorme a sua auto estima (que era tão baixa!). Ele passou a ser
um dos 5 melhores alunos da turma. E quando chegou no final do Ensino Fundamental,
ela me chamou e me deu parabéns de ser a mãe que estava sendo em ter tratado a
tempo do filho. Sempre deixei o colégio ciente de todo o seu tratamento.
Regularmente o médico manda questionários para os professores fazerem a
avaliação do meu filho. Ele é excelente em matemática, é sempre selecionado
para participar da Olimpíada Brasileira de Matemática, onde é sempre
classificado. Hoje cursa a 2a série do Ensino Médio, no mesmo colégio, onde
está desde os seus 7 anos. Com a entrada da adolescência percebi que algumas
mudanças ocorreram. A hiperatividade melhorou bastante, mas a Ritalina deixou
de fazer o efeito de antes (tomava 40mg ao dia) e sua medicação precisou ser
revista. Foi introduzida Ritalina LA, mas não surtiu efeito desejado, ou seja, mesmo
com a dose aumentada, não conseguia se concentrar. O rendimento escolar caiu
consideravelmente. Já com o Concerta ele reagiu melhor, mas não conseguiu
ainda tomar a dose que lhe é suficiente, ou seja, 36 mg diários. Devido aos
efeitos colaterais (perdeu totalmente o equilíbrio e apetite). O médico
recomendou então que fosse administrado Concerta de 18mg em dias alternados.
Nos outros dias ele toma Concerta de 36mg. Ele sente-se melhor quando toma 36mg
(sua concentração é muito melhor). Mas a dose ainda não pode ser ajustada,
pois perdeu 6 kg. Há um mês foi introduzido o Remeron (7,5 mg ao dia) e seu
apetite voltou ao normal e recuperou os 6 kg. Em breve espero ele estar podendo
fazer uso do Concerta 36mg. Hoje ele não é mais um dos 5 alunos da turma. A
quantidade de informações cresceram com a chegada no Ensino Médio e tb por
não estar com a dose do Concerta ajustada, a que seu organismo necessita, além
de muitas transformações com a entrada da adolescência. Mas espero em breve
ter tudo isso acertado. Sempre o tratei com limites e com muito amor. Trabalhei
muito a sua auto estima e ele cresceu sabendo que é um menino com inteligência
acima da média (usei isso para melhorar sua auto estima, pois era muito baixa -
ele se achava "burro"). Sempre procurei me informar para poder
entendê-lo e ajudá-lo cada vez mais. Não o trato por ser
"diferente", muito pelo contrário. se fosse preciso eu mandava trazer
os remédios americanos que ouvi falar [Adderall, Dextrostat, Dexedrine (Dextroanfetamina),
Provigil (Modafinil)]. O TDAH sempre foi TRATADO e nunca
USADO como desculpa para qualquer coisa. Por trás, sem ele saber, estou sempre
em contato com o colégio. É uma luta constante, mas procuro fazer de forma
mais natural possível. Sou atenta a tudo a sua volta. Exijo dele e digo pra ele
que ele tem potencial para ser o que quiser ser. E assim procuro orientar mães
que se encontram "perdidas" com seus filhos com características do
mesmo transtorno a procurar ajuda médica e ter o diagnóstico. Mas reparo que
muitas não se dão a esse trabalho, preferem ficar trocando o filho de
colégio, lidando como se fossem apenas "desastrados" e desatentos,
mas deixar de pensar que acabarão sendo adultos infelizes se não tratados.
Tratar é bastante trabalhoso, pois requer muita disciplina, limite e muito
amor. É um trabalho constante. Confesso não ser nada fácil, mas não me
permito relaxar. E, infelizmente, vejo que não são todas as mães que têm
disposição e persistência. As crianças/adolescentes com TDAH são
crianças/adolescentes especiais e que requerem maior atenção. Tratadas, ajustadas
deslancham na vida e crescem se tornando adultos felizes e competentes. Vejo meu
filho como era e como é hoje. Se eu não fosse persistente ele não estaria no
mesmo colégio. Tudo é uma questão de tratamento, compreensão e muito amor.
São crianças/adolescentes que têm necessidade de se sentir muito amadas.
Há 57 anos tenho DDA ou TDAH
ou Déficit de Atenção. Pena, só descobri neste ano anterior quando fui
demitida de dois empregos que me remuneravam muito bem. Misturaram as minhas
psicoses e a situação ficou incontornável. Ouvi do meu patrão (diretor)
"você só apronta". Foi esta hiperatividade e outras características
que traçaram toda a minha vida pessoal e profissional. Sempre fui muito
inteligente, embora surda até os dezoito anos. Meu pai, professor, tinha o
maior orgulho porque com a minha deficiência auditiva de quase cem por cento eu
ainda era um "gênio". Tornei-me professora aos dezoito anos. Mas, ao
lado disto tudo de intelectualidade, esbarrei na impulsividade, e com ela na
falta de limite para criar saídas quando me via cercada. Hoje, com muitas
leituras de sites, livros, revistas venho me reconhecendo na DDA ou TDAH ou
Déficit de Atenção. Ainda não me decidi se vou procurar um profissional,
pois nunca fiz terapia porque julgava absurdo alguém querer me
"moldar". Mas, sem vocês eu não teria o resto da minha vida
esclarecida, eu não teria uma explicação de tanta competência intelectual
mas tanto desastre em paralelo. Tenho um filho de 28 anos com características
semelhantes as minhas. Vou tentar ajudá-lo, porque na vida adulta, quando temos
sucesso na história de vida como "foda " em tudo não imaginamos que
nem tudo é azul, há manchas negras em nosso cérebro que necessita
orientação para nos guiar os passos. Obrigada por existirem e principalmente
pelas insistentes pesquisas sobre nossos cérebros e os comportamentos gerados
por comando ou sem comando partindo dele. Embora cientista também- cientista
política e pesquisadora social, nunca imaginei que um dia eu pudesse encontrar
explicações para tanta impulsividade, como sair distribuindo quarenta mil
reais a torto e a direito porque eu havia vendido um imóvel e tinha ainda outro
para morar e muito bom, uma casa. E outras, e outras e outras... Só aprontei,
só aprontei... tudo na impulsividade.. Mais uma vez obrigada pela competência
de vocês e pela insistência nas pesquisas. Ainda penso ser possível me
tratar.
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