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A terapia
convulsiva (ECT) foi introduzida, em 1938, por Cerletti e Beni. E apesar das
controvérsias de cunho ideológico, continua sendo considerada um recurso
terapêutico extremamente eficaz.
Sua indicação é precisa nos
quadros depressivos graves, com risco de suicídio iminente, ou que não
respondam às abordagens farmacológicas disponíveis. Também é uma opção,
quando se quer abortar uma crise maníaca grave, e nos quadros de esquizofrenia
refratária à tratamento farmacológico.
Nos pacientes idosos, a ECT tem
perfil de segurança clínica superior, quando comparada a algumas alternativas
farmacológicas, pois as taxas de resistência à medicação e de intolerância
são elevadas nesta faixa etária.
Previamente à realização do
procedimento, o paciente deverá realizar exames de sangue, eletrocardiograma,
tomografia computadorizada de crânio, RX de tórax, fundo de olho e avaliação
dentária. Antidepressivos tricíclicos, IMAO e Carbonato de lítio devem ser
suspensos uma semana antes do início do procedimento. As outras medicações em
uso devem ser discutidas, quanto a sua continuidade, ou não, durante o período
de tratamento com ECT.
O paciente será submetido a
uma indução anestesia no momento da realização da ECT, e por isso deve estar
em jejum.
Pode ocorrer certa cefaléia,
enjôo, ou tonturas, no dia da aplicação.A alteração de memória é o efeito
colateral mais freqüente, durante o período de tratamento, mas em geral,
cessadas as aplicações a alteração de memória desaparece. Casos mais
complicados permaneceram com amnésia lacunar por seis meses.
Em suma, a ECT é extremamente
segura, quando indicada por médico com experiência em ECT, se todos os
procedimentos prévios são tomados, se realizada em local adequado, com
paciente monitorizado, com equipamento moderno, e com equipe experiente, que
deve estar composta de um anestesista, um psiquiatra e uma enfermeira.
Perguntas e
Resposta
P: Foi diagnosticado um caso de
Esquizofrenia na minha família, um jovem de 18 anos apresenta um grave
delírio, fixação absoluta sobre determinado tema, além de outros sintomas
que levaram ao diagnóstico. Esse paciente encontra-se extremamente agitado, com
crises de agressividade onde se agride fisicamente, batendo em si mesmo, além
de ameaçar diversas vezes se suicidar, se o suposto problema não for
resolvido. Mas o problema é "imaginário" e conseqüentemente sem
solução. A família encontra-se muito assustada com a possibilidade de
interná-lo, mas ele está tomando doses altíssimas de tranqüilizantes, justamente
com os antipsicóticos, e mesmo assim não dorme pelo período esperado e o
primeiro pensamento ao acordar é o suposto problema. Diante desse breve quadro
exposto gostaria de saber se há uma possível indicação de ECT e se esse tipo
de tratamento costuma dar bons resultados em pacientes esquizofrênicos?? Além
disso, ocorrendo a internação e o paciente ficará sedado todo o tempo?? Ele
costuma lembrar do período em que fica internado em clínicas junto com outros
doentes?? Obrigada.
R: Boa tarde Fernanda, A ECT
não tem uma indicação precisa nos casos de Esquizofrenia, e em geral só é
tentada em casos refratários ao tratamento com antipsicóticos atípicos, e/ou
Clozapina. O que precisamos saber é se ele está sendo medicado adequadamente
,e se está de fato tomando os medicamentos. Infelizmente, o paciente
esquizofrênico não tem critical de doença e nem da necessidade do tratamento,
e por isso quem está de posse de critical é que deve fazer o que é
necessário, e o quanto antes, pois quanto mais tempo em estado delirante, pior
o prognóstico da doença. A intervenção precoce é o mais importante para
este tipo de doença. Espero ter ajudado e estou à disposição Abs, Dra.
Alina.
P: Fiz ao todo 12 ect. Devido à
depressão que tenho à 2 anos e meio, a primeira série de seis, melhorou
bastante meu estado. Após um mês fiz a segunda sem nenhum resultado e o que é
pior os efeitos colaterais, principalmente amnésia agravou meu quadro.Já fiz
uso de 5 medicamentos entre isrs e tricíclicos. Ha 5 dias mudei para anafranil.
Pergunto, você já indicou ect. para casos refratários à medicação como o
meu?
R: Não só eu mas muitos médicos
no mundo todo, cada vez mais.
P: Tinha uma amiga que sofre de
depressão há anos! Já tomou vários medicamentos, faz sessões com
psicóloga,mas a cura está difícil!Sua mãe ouviu dizer que sonoterapia seria
bom para isso.Gostaria de saber se é verdade,e se for,gostaria que me
indicassem por gentileza algum lugar que faça essa terapia!
R: Bom dia. Sonoterapia não é
tratamento nenhum. Às vezes se usas essa expressão como um eufemismo para
Eletrochoque (Ect), pois a pessoa dorme, não sente nada e quando acorda já fez
a aplicação. Como dormiu meia hora acha que fez sonoterapia. Precisa ver se
ela já fez os outros tratamentos de maneira adequada. Além disso hoje em dia o
TMS pode ser feito no lugar do Ect, é muito mais prático e barato. Mas quem
opta por esse tratamento é o médico.
P: Gostaria de saber se existe alguma maneira de
saber se o tratamento está alcançando o resultado desejado ou não. Se é
apenas uma questão de perseverança com a atual orientação que estou
recebendo, ou se seria uma boa idéia procurar novas opções para encontrar
resultados mais rápidos. Tenho 29 anos. Tentei suicídio há cerca de três
meses, passei por um tratamento de ECT, continuo com acompanhamento de dois
Psiquiatras (um para o tratamento clínico, e um para a Psicoterapia). Considero-me uma pessoa extremamente ansiosa, e o stress com o trabalho vem
piorando minhas crises de depressão. Sempre fui uma pessoa bastante insegura,
mas com a morte do meu pai no ano retrasado, que inclusive era médico e cuidava
de mim em todos os aspectos da minha vida, tenho me sentido cada vez mais
"sem apoio" para a solução positiva destas minhas idéias suicidas.
Apesar do acompanhamento psicológico, não acho que vou conseguir evitar outras
tentativas, o que me assusta profundamente.
Fiz uma visita no mês passado a um PA , com
uma descompensação diabética, e sei que meu pouco caso em relação ao
tratamento deve-se também à depressão. Todos os Profissionais com quem estou
atualmente mantendo tratamentos médicos foram muito bem recomendados, sendo até
dois deles da equipe do PA. Com estas credenciais, deve ficar meio claro que
estou gastando muito dinheiro com todos esses tratamentos, pois estou arcando
com todos os custos. Não tenho condições de seguir neste ritmo de despesas,
por isso gostaria de saber se pelo menos está valendo a pena.
Sei que esta não é a melhor forma de
conseguir a informação que necessito para estas decisões, mas não estou em
condições de sair caçando novas opções terapêuticas. Sinto que o método
psicanalítico adotado pelo meu atual terapeuta está me deixando ainda mais
insegura e duvidosa em relação ao futuro, mas como esta é minha primeira
experiência deste tipo, não sei se este é apenas um passo que deve ser
superado ao longo do tratamento, ou se não deveria ser este o resultado das
sessões.
R: As sua perguntas são ótimas, a minha resposta
nem tanto ... Bom, como avaliar se os tratamento estão dando certo no seu caso
é muito difícil, porque pelo que senti lendo seu e-mail não se trata de uma
Depressão Clínica, endógena, daquelas "químicas" mesmo, que você
começa a tratar hoje e sabe que daqui a no máximo 6 semanas estará boa.
Parece que existem fatores emocionais importantes, e isso é bem mais complicado
e longo para tratar. Não sei que remédios vc está tomando, de qualquer forma,
um remédio leva de 3 a 6 semanas para agir. Com relação à terapia, já que
é longa, vc tem todo o direito de conversar com seu terapeuta e fazer um
planejamento de tempo e financeiro. Jogo aberto e bem claro. Mas ela não
deveria estar te trazendo insegurança, como vc escreve. Bem, não seu se ajudei
muito, espero que sim. Mais concreto do que isso, só conhecendo vc pessoalmente.
P: Em caso negativo, tal técnica deixa
seqüelas no paciente ou efeitos colaterais irreversíveis, como perda de lucidez,
memória, inspiração, sensatez, etc.
R: Hoje em dia, quando o ECT é feito sob
supervisão de um clínico e um anestesista, quando muito se vê um déficit de memória
que normaliza como tempo.
P: ... internada em hospital
Psiquiátrico. Nunca esteve tão mal. Antes tinha medo de morrer, ouvia e via pessoas que
a ameaçavam de morte, cismava com as pessoas, mas tomava remédio e melhorava. Agora
não. Neste último mês mudou de médico duas vezes, de drogas, e só piorou. Tentou
várias vezes o suicídio. Noutros momentos temia morrer. Internada, querem tratá-la com
Eletroconvulsoterapia. Desejo saber se há outro recurso e se existe algum artigo sobre
essa terapia, que uma pessoa leiga possa compreender.
R: Quando nenhum dos (muitos)
Neurolépticos funcionam na Psicose o ECT pode sim ser uma ótima alternativa.
P: Quando. um paciente é
portador de Depressão grave e TOC qual procedimento é mais eficaz nos casos
refratários, ECT ou Psicocirurgia?
R: Eu diria que o mais
sensato,
depois de se tentar todas as famílias de medicamentos, devidamente associados e
potencializados, seria primeiro o ECT e depois a Psicocirurgia.
P: Ao me deparar com a
informação de que o ECT em casos de depressão maior com risco altíssimo de suicídio
é a única solução, já que os anti-depressivos só começam a atuar depois de duas
semanas, resolvi fazer uma pesquisa com profissionais que são totalmente contra ao ECT se
existe algum outro tratamento ou uma possibilidade que aja da mesma forma do que o mesmo.
Não me contentei com a explicação de que mesmo dando um relaxante muscular e colocando
correntes elétricas entre 70 e 150 volts, o paciente não sofrerá pois perderá a
consciência. Será que não existe outro método sem choque ?
R: 1) ECT não é o único
método mesmo para os casos gravíssimos. É muito raro precisar indicar. 2) Parece
mesmo incrível, mas a pessoa realmente não sofre. Eu não aplico nem sei aplicar
mas já assisti a muitas aplicações e é assim mesmo. 3) Não pode existir
profissional "absolutamente contra" uma técnica consagrada em todos os
países do mundo, mesmo que raramente usada. Ciência não é religião nem futebol.
Não funciona na base de torcida nem de paixões contra ou a favor. O que
interessa é usar todas as técnicas disponíveis para melhorar a vida do paciente.
P: Quais são os colaterais do
ECT ?
R: Os colaterais conhecidos
são Cefaléia e leve déficit de memória que podem durar até seis meses. O ECT está
voltando a ser um tratamento importante em todo o mundo, justamente pela eficácia e pela
baixa incidência de colaterais.
P: Gostaria de ler
informações sobre ECT.
R: As maiores indicações são
Esquizofrenia forma catatônica e Depressão resistente a outros tratamentos. Feito com
anestesia geral em Hospital ou Clínicas é um grande tratamento e está sendo usado cada
vez mais em todo o primeiro mundo. Pode deixar como seqüelas uma leve Cefaléia e
pequenos problemas de memória. Ambas as seqüelas desaparecem depois de algum tempo.
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