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O
que é?
A
Fobia Social é um transtorno de ansiedade, e se caracteriza pela extrema ansiedade diante de situações em que a
pessoa se sinta avaliada por outros, ou seja, acontece sempre que a pessoa é submetida à observação externa
enquanto executa uma atividade; o problema é que para o fóbico social
essa avaliação é sempre ruim, a
pessoa se sente como se diante dos
outros estivesse sempre na eminência de ser humilhado publicamente ou colocado
em situações embaraçosas, por isso essas situações são tão temidas e freqüentemente
evitadas.
O
problema evolui como uma bola de neve, a pessoa evita as situações temidas e o
problema vai se cronificando a tal ponto que somente o pensamento de exposição
já traz consigo os sintomas como se a pessoa estivesse de fato diante da situação. Os sintomas mais comuns são: rubor facial, dores
abdominais, tremores, sudorese, palidez, taquicardia, extremidades
frias,dificuldade para falar, diarréia, vontade e sumir do local, preocupação
por antecipação com as situações
onde estará sob apreciação alheia, enjôo etc... A ansiedade muitas vezes é
tão intensa que pode desencadear uma crise semelhante à crise de pânico!!
Outro
agravante é que quando a pessoa vê que os outros estão percebendo sua
ansiedade o grau de tensão só aumenta , conseqüentemente essa ansiedade só
agrava ainda mais o quadro, a pessoa se sente envergonhada com auto-estima baixa
e vai se isolando cada vez mais.
A
pessoa percebe que aquilo que os outros fazem com facilidade, como: atender um
telefone, pedir informações a estranhos, entrar numa loja e comprar um
produto, cumprimentar as pessoas, comer em público, tirar uma fotografia... são
momentos vividos sob muita tensão e estresse. Nesse momento a pessoa começa a
se avaliar negativamente, achando que não é bom o suficiente, mas não é
verdade! A fobia social é um transtorno tratável como qualquer outro.
Certo
acanhamento e timidez em determinadas situações são normais, mas começa a
ser um problema quando traz prejuízo
em vários níveis de sua vida pessoal e profissional, o medo de enfrentar as
situações sociais, limita a busca de novos desafios, como por
exemplo: não ter amigos, não conseguir se aproximar de quem se tem interesse
afetivo, os namoros raramente começam
por iniciativa própria, não consegue crescer profissionalmente ou fazer um
curso ou faculdade, falar numa reunião...
A
ocorrência eventual de desconforto diante da exposição não caracteriza Fobia
Social, mas sim a sua freqüência constante e sofrimento psíquico causado na pessoa que possui, o nervosismo que a situação
ocasiona é desproporcional ao que a situação normalmente exige.
Trata-se
de grande sofrimento, pois, a pessoa vai evitando o contato social, se isolando
com pensamentos autodepreciativos
gerando sentimentos de inferioridade, geralmente não pedem ajuda pois
acham que são assim mesmo que trata-se de um traço de personalidade, mesmo
porque não sabem que na verdade possuem um transtorno psiquiátrico passível
de tratamento.
A
pessoa com Fobia Social adapta sua vida e seleciona oportunidades e eventos para
ter uma mínima possibilidade de situações temidas, então vai dando desculpas
para não comparecer a festas familiares e de amigos, temos pacientes que
desligavam telefone celular nos finais de semana para não correrem o risco de
que alguém o convidasse para sair. Em função desses comportamentos os fóbicos
sociais são avaliados erroneamente pelos outros, são tidos como antipáticos e
anti-sociais!! O que não é verdade, antes de não gostarem da presença das
pessoas, eles tiveram uma sensação desagradável nas situações vividas
anteriormente e só então começaram a esquivar-se.
São
pessoas que sabem do quanto sáo capazes e no trabalho têm consciência de que
podem até mais que outras pessoas, mas na hora de realizar e falar não conseguem o que atinge frontalmente sua auto-imagem.
CAUSA
E DIAGNOSTICO:
Sua
causa parece estar associada à combinação de alterações genéticas e ambientais.
É
relativamente comum encontrarmos fóbicos sociais advindos de famílias onde há
alguém pai ou mãe extremamente tímidos; e então acreditamos que possa haver
uma questão de herança genética ou ainda, a criança no convívio diário com essa pessoa vai aprendendo que
o contato social é ameaçador, ou
quem sabe o mais provável a combinação dos dois fatores. Vemos também com
certa freqüência que pessoas educadas em ambientes familiares extremamente rígidos
e críticos dêem margem para a evolução do problema.
Sob
o ponto de vista psicológico e da personalidade, vemos também que é mais
comum a Fobia Social aparecer em pessoas extremamente autocríticas e rígidas consigo mesmas.
É
mais comum iniciar na adolescência ou até mesmo na infância, a maioria dos pacientes
iniciam
o quadro antes dos 25 anos.
O
que fisiologicamente acontece é que se produz reações de alarme e perigo nas
situações sociais mais comuns no cotidiano, como assinar um cheque por
exemplo.
A
forma como a pessoa vivenciou suas experiências, seu auto-valor e auto-conceito,
podem desencadear um quadro de Fobia Social. Recentemente atendendo uma mãe
para orientação de sua filha, que segundo dizia tratava-se de uma criança
muito tímida, ela relatou que a menina foi noiva ao dançar quadrilha na festa
junina, por ela ser pequena (6 anos) e engraçadinha quando falava todos riam,
mas por gostarem de sua atuação, inclusive os pais; entretanto a menina
vivenciou os risos de uma forma negativa e disse para mãe que todos riram dela
e que nunca mais apresentaria nada em público.
SINTOMAS:
Não
há um sintoma próprio da Fobia Social, são os mesmos sintomas que acometem
qualquer outra situação de ansiedade. O que o caracteriza é que isso acontece
sempre em situações de algum
contato social onde a pessoa se sinta observada.
Nossos
pacientes relatam dificuldade em:
-
dizer não
a um vendedor insistente,
-
mesmo que uma mulher ou homem lhe interessem e demonstrem interesse não
conseguem se aproximar,
-
podem estar perdidos em algum lugar não pedem
informação,
-
num grupo não conseguem expressar opiniões contrárias ao que está sendo
exposto,
-
tem dificuldades em iniciar e/ou manter uma conversa,
-
se consideram sem assunto
interessante,
-
entrar em algum lugar ( festa, restaurante etc.) quando já tem muita gente,
-
falar com autoridades ou pessoas do sexo oposto,
-
comer em público,
-
falar em público,
-
recusam promoções
no trabalho,
mesmo sabendo que teriam capacidade para tal,
-
mesmo com condições financeiras, não conseguem entrar numa loja e comprar
algo
Não
aparecem todos os sintomas na mesma pessoa, normalmente existe a ocorrência de alguns
e
muitas vezes com predominância de um, por exemplo: a pessoa até consegue obter
um circulo social mínimo mas satisfatório, mas no trabalho toda vez que
precisa falar com o chefe ou é
convidado a emitir uma opinião sobre algo, não consegue.
A
depressão é uma complicação freqüente da Fobia Social.
O
uso e muitas vezes, abuso de bebidas alcoólicas é comum em pacientes fóbicos
sociais. Num bar ou numa festa em que eles se encontram desconfortáveis, beber
algo relaxa, ocupa a mão e acaba ajudando a se sentirem melhor por obterem alívio dos sintomas de ansiedade; mas trata-se de uma
armadilha porque não resolve o problema e pode desencadear num vício.
TRATAMENTO
Em
primeiro lugar é importante que se saiba que os sintomas são crônicos, não
desaparecem espontaneamente sem tratamento e só pioram com tempo.
Trata-se
de um transtorno altamente incapacitante e infelizmente a maioria não procura
tratamento, há uma relutância nesse sentido; pois a Fobia Social em função
de suas características próprias faz com que a pessoa não se queixe para
ninguém sobre o que sente, muito pelo contrário o esconde freqüentemente, se
culpe e se isole.
Apesar
de ser um problema grande para quem sofre com o mal, é de fácil tratamento e rápido!
Consideramos
a combinação de tratamento - medicação + TCC (Terapia Comportamental Cognitiva) -
o mais eficaz e que traz o resultado mais
rápido e eficaz.
Medicamentos
como os antidepressivos e os tranqüilizantes são importantes para apagar o
excesso de reatividade emocional e ansiedade.
O
tratamento medicamentoso traz alívio dos sintomas logo nos primeiros dias de
seu uso, mas eles voltam com a suspensão dos mesmos. O tratamento psicoterápico
demora mais para ter resultado, entretanto os sintomas não voltam com a suspensão
do mesmo.
O
paciente não irá tomar medicação por muito tempo, só o suficiente para
controle dos sintomas físicos de ansiedade, eo tratamento psicoterápico no
primeiro mês já começa a aparecerem os efeitos da melhora e no final do
quarto mês, já é possível verificar resultados bastante satisfatórios.
A
TCC consiste em levar a mudanças efetivas no auto-conceito. A terapia é necessária
porque existem aspectos da Fobia
Social que não se resolve só tomando medicamento, que dependem de aprendizado,
e requeiram um tipo de treinamento chamado THS (Treinamento de Habilidades
Sociais), que pressupõe a aprender a
reclamar, a posicionar-se e a exigir direitos, a falar em público. Utiliza a
terapia de exposição gradual e progressivamente vai obtendo vivências de
sucesso, o que leva a efetiva melhora do quadro.
Apesar
de a Fobia Social ser um problema extremamente incapacitante, a melhora do
quadro geral é mais rápido do que verificamos em outros transtornos de ansiedade, essa é a notícia boa!!
A melhora chega bem próxima de 100%.
DIFERENÇAS
ENTRE TIMIDEZ E FOBIA SOCIAL
A
timidez não é um transtorno mental, ela é controlável e não é
incapacitante, apenas um mal estar. Por exemplo, a pessoa não gosta de se
apresentar um público, mas se é preciso ela vai e faz, enfrenta certo
desconforto nos primeiros dez minutos, mas depois vai relaxando e tudo fica bem.
Com o fóbico social não é assim, os sintomas permanecem por todo o tempo e só aumentam durante a fala, sua atenção está mais
concentrada nos seus sintomas e no pensamento se as pessoas estão percebendo e
o achando idiota, do que no conteúdo da exposição, resultado óbvio:
fracasso.
A
timidez não causa danos efetivos na realização pessoal, mas atrapalha. Por
exemplo: a pessoa fica mais quieta nos grupos é menos lembrada nas atividades.
O fóbico social tem sua vida social
seriamente comprometida. Por exemplo: a pessoa simplesmente não aceita convites
do grupo, se esquiva e fica em casa, resultado: isolamento.
O
tímido não precisa fazer uso de medicamentos, mas se preferir pode se
beneficiar de um tratamento psicológico se a timidez o incomodar pessoalmente.
É
importante deixar claro que é normal sentir-se constrangido eventualmente.
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