|
P: Bom, eu descobri que
tenho Transtorno de Personalidade Borderline há alguns meses, depois
que tentei seguidamente me suicidar tomando vários calmantes. Fiquei frustrada
porque NADA do que eu tomava fazia algum efeito...tudo o que eu queria
era dormir seguidamente ou entrar em coma e ao invés disso, fiquei
com insônia, dor de cabeça, tonta, etc.
Fui internada... fiquei 2 meses. Mais depois que sai de lá (em junho
deste ano) ainda tentei novamente tomando 30 comprimidos de Dramin pra
dormir e de novo...não fez efeito pa mim. Rivotril e Diazepam não
fazem mais efeito pra mim tb. Depois disso, fiquei uma semana tirando
sangue de mim mesma. Agora estou com uma fibrose no braço, mas ainda não
me sinto satisfeita.
Lembro que qdo fui internada, o medico me passou um remédio que teve
efeito colateral onde eu tive pressão baixa.... agora estou com a idéia
fixa de conseguir algum remédio que me de o mesmo efeito. Por favor,
me ajudem! R:
Mas porque vc não faz o tratamento correto, que é medicação mais
psicoterapia ?
P: Olá, Dr Juarez! Encontrei teu e-mail no site Mental Help.
Apesar de ser diagnosticada como Bipolar por um psiquiatra referência
mundial em Transtorno Bipolar e durante algum tempo ter os sintomas
bem condizentes com esta doença, li no site a respeito do Borderline.
Percebo que, hoje em dia, pareço muito mais com uma Borderline.
Gostaria de saber se, basicamente, são a mesma patologia em graus
diferentes de intensidade. Uso estabilizadores de humor (Seroquel, Lamitor
e Topamax), mas continuo com instabilidade (muito
semelhantes à Borderline) e gostaria de saber qual linha de terapia é
mais indicada nesse caso. No site fala sobre Analítica, mas li também
em outros artigos que a mais indicada hoje em dia é a TCC. Qual sua
opinião? Desde já obrigada por tua atenção!
P:
Eliza: Sua constatação é extremamente pertinente. Veja que o
psicoterapeuta precisa ter a percepção e destreza como tb. eficiência
para distinguir e diagnosticar estes dois transtornos tão doloridos
e desorganizadoras da psique, díspares nas causas porém com conseqüências
emocionais muito parecidas e sérias que afetam muito a auto-estima, a
segurança afetiva e o equilíbrio emocional: causam distúrbios
bioquímicos e/ou são advindos de uma herança genética....estes
sintomas são o bastante para retardar ou dificultar em muito a
auto-realização da pessoa.
Procura-se
com a psicoterapia e a psiquiatria um equilíbrio bio-químico. A
consciência desses distúrbios para assim serem curados, gerenciados,
compreendidos e possibilitar um convívio seguro afetivamente e adequação
dos potenciais pessoais, vejo a psicoterapia profunda (psicologia analítica)
como necessária e produtiva , pois pesquisa a gênese dos sintomas que são
podem ser inúmeros (cada história pessoal contém sua características
próprias).
A
psicologia analítica, como ela sugere, vai em busca das vivências pessoais que são responsáveis pelas carências, feridas emocionais,
sensações negativas e as avalia e assim as insere e as compreende como
realidades emocionais pessoais facilitando gerenciá-las e/ou
“desconstruí-las” podendo sanar traumas emocionais: obtendo-se,
então, uma qualidade de vida muito melhor.
A
psicoterapia também acompanha o tratamento medicamentoso que é importantíssimo
e imprescindível; ajuda o psiquiatra na avaliação e acompanhamento
de dosagens e nos resultados da medicação, porque o psicoterapeuta
interage semanalmente com o paciente.
Minha
opinião é que nos dois distúrbios a psicoterapia analítica é muito
importante para esta análise e avaliação e naturalmente ela vai abordar
o comportamento do paciente fazendo com que ele se confronte com seus
limites e aprenda a lidar positivamente com eles. Dr. Juarez Lopes Neto
|